Fantasia biopunk utiliza horror biológico para discutir elitismo, poder e luta de classes

 No livro "As pragas de Tiliard", Hiron Ennes, autore vencedore do British Fantasy Award, cria um universo original onde monstros grotescos, arte, política e desigualdade se entrelaçam em uma narrativa de ficção especulativa


Divulgação | VR Editora/Plataforma21

Em uma cidade construída dentro de uma árvore colossal, a copa é destinada à elite, que vive cercada por luxo, perfumes capazes de alterar percepções e espetáculos grandiosos. Já nas raízes, trabalhadores, exterminadores de pragas e pessoas marcadas por dívidas hereditárias lutam diariamente para sobreviver. É nesse cenário marcado pela profunda divisão entre riqueza e pobreza que Hiron Ennes, autore vencedore do British Fantasy Award, constrói uma narrativa que combina horror biológico, intrigas políticas, arte e luta de classes de forma tão original quanto perturbadora.

As pragas de Tiliard chega ao Brasil pela Plataforma21, com tradução de Yonghui Qio, e apresenta aos leitores uma metrópole viva construída sobre um emaranhado de raízes gigantescas. Conhecida como o Leito de Morte das Tulipas, a cidade é constantemente ameaçada por criaturas conhecidas como pragas catóptricas: seres capazes de provocar incêndios, espalhar toxinas alucinógenas, semear dúvidas e até transformar completamente a vida de quem cruza seus caminhos.

Nesta cidade vive Guy Moulène, um exterminador de pragas disposto a aceitar qualquer trabalho para impedir que a irmã, Tyro, seja consumida pelas dívidas hereditárias que assolam os moradores mais pobres. Quando recebe a missão de caçar uma centopeia colossal (grande o suficiente para lutar contra um dragão), ele acredita estar diante de apenas mais um serviço perigoso, porém, a criatura possui um veneno mortal e um apetite insaciável por obras de arte. À medida em que sobe as camadas da capital destruindo tudo pelo caminho, a criatura passa a ameaçar não apenas a sobrevivência de Tiliard, mas também as estruturas que sustentam a identidade e o futuro do local, da elite aos moradores mais pobres.

Boatos – e, portanto, avistamentos – do verme-insídia se espalham das raízes até a cidade de cima, infestando prédios, envenenando as tubulações, cuidando de seus ninhos vicejantes e fractais. A cada centena de alarmes falsos, há um único teratópode. Cada um é extraído de um ninho singular de coisas grotescas, cavidades escancaradas na polpa da cidade: madeira, fiação, mármore, tinta, vida. A criatura não poupa nenhum estrato;  tão provável encontrá-la no balneário particular de um ministro quanto enfurnada numa radícula. É uma escultora versátil, moldando o ambiente que a cerca de acordo com seu gosto parasitário.
(As pragas de Tiliard, p. 201)

Enquanto percorre os níveis inferiores da metrópole em busca da praga, Guy se vê envolvido em conflitos que ultrapassam os limites de uma simples caçada. Paralelamente, personagens como Asteritha Vost, integrante da elite da cidade alta, ligada aos círculos de poder locais, ajudam a revelar as engrenagens que movem aquela sociedade. Aos poucos, diferentes perspectivas expõem um sistema marcado por privilégios, manipulação e disputas políticas, em que arte, informação e influência se tornam instrumentos capazes de moldar o destino de toda a população.

Para além dos monstros e intrigas políticas, o autore utiliza o cenário distópico da obra para refletir sobre desigualdade, exploração e concentração de poder. Com personagens LGBTQIAPN+ e uma narrativa que transita entre o grotesco e a crítica social, Hiron Ennes apresenta uma história que transforma criaturas fantásticas, sci-fi e paisagens perturbadoras em ferramentas para discutir questões sociais atuais.

Ao cominar fantasia biopunk, horror biológico e ficção especulativa, As pragas de Tiliard retrata uma ambientação onde natureza, arquitetura, arte e tecnologia se fundem. Com uma estética marcada pelo grotesco e pelo extraordinário, este lançamento de volume único constrói um universo rico em detalhes, que desafia convenções tradicionais da fantasia contemporânea.

Ficha Técnica:
Título: As pragas de Tiliard
Título original: The Works of Vermin
Autore: Hiron Ennes
Tradução: Yonghui Qio
Editora: Plataforma21
Edição/ano: 1ª/2026
ISBN do livro físico: 978-65-5008-075-4
ISBN do e-book: 978-65-5008-076-1
Gênero: Fantasia
Idade recomendada: A partir de 18 anos
Número de páginas: 456
Preço: R$109,90
Onde encontrar: Amazon | VR-Commerce | Mercado Livre | Principais livrarias do Brasil


Sobre autore: Hiron Ennes é autore de fantasia e ficção especulativa, vencedore do British Fantasy Award. Nas horas vagas, atua como cientista maluque, harpista selvagem e ávide acariciadore de cachorros. As pragas de Tiliard marca a estreia de Hiron no mercado editorial brasileiro.

 Redes sociais: @hironennes.bsky.social |  https://www.hironennes.com/

Sobre a editora: A Plataforma21 é o resultado do carinho da VR Editora pelos jovens leitores. E tudo começou com a publicação do best-seller Maze Runner. São 9 anos oferecendo o que há de melhor em aventura, romance, fantasia e cultura pop na literatura de entretenimento. 

Instagram: @plataforma21_ e @VReditorabr  | TikTok: @plataforma21_ 


1 Comentários

  1. Gente, o que é a premissa desse livro?! 😱 Uma cidade inteira construída dentro de uma árvore gigante, bicho! Misturar horror biológico, conspiração política e luta de classes com monstros bizarros é genial demais. Já quero acompanhar o Guy caçando essa centopeia colossal. Hype foi lá no alto, com certeza vai pra minha lista! 🎯📚

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