Cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados por ano no mundo
A moda inverno 2026 chegou com o charme e elegância das peças que complementam um look mais neutro, com tonalidades profundas, cheio de acessórios, texturas e até mesmo transparências que impactam no visual de quem tem personalidade e não precisa de excessos para chamar a atenção por onde passa. E as novas tendências para quem quer apostar na moda inverno, os tons profundos bordô, marrom, com tecidos de alfaiataria, rendas e peças com cintura baixa, são as favoritas.
Mas sabe o que nunca sai de moda? Investir em ideias sustentáveis!
A indústria da moda é a maior influenciadora, quando falamos de ideias que geram impacto real no meio ambiente. E quando digo impacto, é porque a moda, pode gerar influência direta no consumo excessivo, na produção acelerada de peças, no desperdício têxtil e até de tempo, porque o que é feito hoje, pode afetar o meio ambiente ano que vem, daqui dez ou mais anos.
A busca por empresas ou marcas que investem na sustentabilidade, durabilidade e consumo consciente é algo positivo quando falamos de mercado fashion. Recentemente acompanhei as notícias sobre o lançamento da coleção inverno 2026 da Mondepars e sobre a história da origem da marca e da Sasha e sua família. Confesso que não conhecia os produtos da marca, e ao chamar a minha atenção o destaque em que teve nas mídias sociais o desfile e no mercado brasileiro de moda, compreendi o porquê de tanto sucesso.
O fast fashion aumentou drasticamente o consumo de roupas nas últimas décadas
No site da marca, ao ler sobre, já gostei de ter princípios voltados a moda sustentável, e em uma entrevista, me identifiquei, quando Sasha contou sobre ao cursar moda e ter que desenvolver muitos estudos relacionados ao consumo e produção responsável, e na faculdade, também desenvolvi muitos projetos relacionados a conscientização ambiental dentro da comunidade, onde colocávamos em prática tudo o que era ensina na teoria dentro do meu curso.

E no final das contas, compreendemos a importância de que é necessário não só conhecer na teoria os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que tem objetivos na agenda, de até 2030, promover a produção mais consciente. Incentivando empresas e consumidores, a reduzirem seus desperdícios, aprender a reutilizar materiais recicláveis e adotar meios de produção que gerem menores impactos ambientais, com materiais alternativos ao couro, como algumas peças que encontrei em minha pesquisa sobre a Mondepars e grandes marcas internacionais, que vem influenciando e crescendo o movimento Slow Fashion no Brasil, totalmente em contraproposta do Fast Fashion, que visa desperdiçar compulsoriamente peças e mais peças. Chega de desperdícios!
A ARRAIA, é uma bolsa feita a partir do Notus Cacto
um couro vegetal
Nota-se que a marca foi bem pensada, a partir do nome, que significa (monde = mundo em francês) e (pars = parte), ou seja, parte do mundo. A estilista Sasha Meneghel, tem a proposta de unir a alfaiataria, a versatilidade, a durabilidade e a consciência ambiental, para criar tendências minimalistas e atemporais, que não sejam descartáveis. A ideia da marca é compor looks diferentes, sem se preocupar em sair da moda e sem a necessidade de ficar toda temporada trocando o guarda-roupa e desperdiçando roupas boas por motivos fúteis, enquanto você descarta aquela belíssima jaqueta ou aquela sua bolsa, só porque alguém julgou ser ultrapassado e prefere poluir o meio ambiente. Independente da marca, a moda agora é ser sustentável e se for se desfazer de alguma peça, doe ou repasse em algum brechó. Aliás, adoro brechós e peças vintage.
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Confeccionada em biomaterial à base do Notus Cactos, a Bolsa possui aspecto e caimento similares ao couro natural. Idealizado pela Desserto®️, a matéria-prima é cruelty-free e sustentável, proveniente de um cacto abundante no México que utiliza pouquíssima água para a sua plantação. A Bolsa Arraia possui formato inspirado na arraia, alças pespontadas, fechamento por ganchos, bolsos internos em ambos dos lados, assinatura com etiqueta biomaterial com o nome Mondepars no interior e no exterior, base rígida com metais de suporte e acabamento pespontado. Produto disponível no e-commerce mondepars.com |
E também amo peças básicas e de alfaiataria, como os blazers, calças, blusas e vestidos, que foram apresentados no desfile e tem também no site da Mondepars. E o que mais encanta na coleção, é saber a fundo a história da estilista e descobrir que a maior inspiração da linha, é a avó de Sasha Meneghel, a Dona Alda Meneghel, a mãe da Xuxa. Que contou em uma entrevista, lembrar de sua infância e dos momentos ao lado da avó que costurava e acabou adquirindo o interesse pela arte da moda. É outro ponto que nos prende, o emocional, pois quem não teve uma avó ou alguma pessoa mais velha que gostava de tricotar, costurar e fazer remendos nas nossas roupas na infância?
No meu caso, essa pessoa era a minha mãe, que era uma costureira profissional, tinha uma máquina Singer com pedal, que ela usava para complementar a renda da família e enquanto ela trabalhava, minhas irmãs e eu ficávamos próximas, acompanhando cada etapa, desde a ideia inicial de cada peça, o concerto das roupas dos vizinhos que a contratavam para ajustar os seus ternos e roupas de trabalho, e com as sobras de tecidos que ficavam em sua mesa, ela ainda praticava o reuso de materiais, e criava lindos conjuntinhos combinando para eu e minhas irmãs usar em casa. Fora de seus turnos, aquela velha máquina de costura, que era dobrável, virava a minha mesa de estudos, e eu ficava balançando os pés no pedal enquanto concluía meu raciocínio, e me divertia. E claro, pude aprender muitas coisas ao observar minha mãe trabalhando na máquina e realizando as marcações e costurando a mão também.
Na adolescência, me tornei uma jovem com personalidade e estilo, pois sempre pude apresentar os looks mais autênticos da minha turma, graças aos aprendizados que adquiri com a minha mãe e pude desenvolver o meu lado criativo e me tornar uma adulta mais funcional, e que entende também a importância da moda sustentável. Hoje transmito a minha filha o mesmo pensamento e considero todo o meu saber ancestral, como uma herança, uma habilidade, que minha filha é incentivada a dar continuidade.
Sustentabilidade não é sinônimo de classe social, poder aquisitivo e hierarquia, mas ao quanto se é consciente e responsável a ponto de fazer a diferença na sociedade.
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| Kalu Putik - Foto: Reprodução Instagram @kaluputics/atarde |
Kalu Putik - Apresentado como um jovem etíope de 15 anos morador de Adis Abeba, o criador viralizou de forma estrondosa ao postar vídeos transicionando itens simples do cotidiano e materiais reciclados (como pneus velhos, latas, sacolas plásticas e sucatas) em roupas conceituais com estética de alta-costura. Em poucas semanas, o perfil saltou de milhares para mais de 5 milhões de seguidores, atraindo a atenção de gigantes do mercado de luxo como Prada, Gucci e Balenciaga,
mas sem retorno jovem.
Será AI ou humano? Eis a questão, mas a ideia foi genial.
E enquanto algumas pessoas ignoram a importância de preservar o meio ambiente, e espero que não seja o caso dos meus leitores. As consequências de praticar ações vergonhosas, como o consumo excessivo de moda, como jogar fora diversas roupas ou recortes de tecidos, você pode poluir rios, aumentar a emissão de gases poluentes e provocar o acúmulo em áreas de aterros. Porque, se você consumiu, descartou, para algum lugar há de ir, não é mesmo?
A indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de carbono
E não é só o solo e o ar que poluem. A água é outro elemento que acaba sendo afetado pelo consumo excessivo e ao pesquisar sobre ideias de inovação e sustentabilidade no mundo da moda, descobri que para se produzir uma única peça de calça jeans, pode gastar em torno de 7 mil a 10 mil litros de água durante produção e o processo de lavagem. E tecidos como o de algodão, exige um uso ainda maior, que afeta regiões com a escassez hídrica.
E a seda? Por ser um produto natural e sabemos que é artigo de luxo no mercado da moda, é produzido a partir do casulo do bicho-da-seda, uma larva da mariposa Bombyx-mori. Já assisti vídeos de produção e confesso que senti muito pelos animais que são explorados. E é um grande debate quando falamos de ética, conscientização e impacto ambiental. Odeio ver a crueldade animal e sou totalmente contra. E você pode optar por peças feitas a partir de matéria-prima sustentável e renovável, como a viscose, que por ter material de origem vegetal, decompõe-se mais rápido do que o plástico.
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| O Vestido Valéria é confeccionado em viscose, possui caimento fluído, decote halter com efeito degagê e abotoamento duplo revestido posterior, quadril com tiras para amarração na lateral, recorte vazado posterior, fechamento posterior por zíper invisível, fenda posterior e comprimento longo. Produto disponível no e-commerce mondepars.com |
E porque é importante falar da Mondepars, da Sasha ou do Kalu Putik? Citar a marca ou o peso do nome Meneghel em um tema tão relevante e necessário, é pontuar que a moda vai além da estética e não importa se é ela ou um brechó, ou você customizando suas roupas ao estilo DIY. A coleção da Sasha é de muito bom gosto, e o preço é de acordo com o seu público, e eu não sou parte dele, porém adorei as peças e também tenho liberdade em me inspirar e criar meus próprios looks de acordo com a minha realidade. O que conta é o incentivo ao consumo consciente, a valorização das peças de qualidade e duráveis, e a economia (pra mim também conta $.$).
O importante é incentivar ideias inovadoras e sustentáveis, para que mais empresas e pessoas, pensem no futuro e tenham a moda como uma ferramenta que dispõe beleza, designer, consciência ambiental, com muita criatividade ao inovar e provocar a reflexão no público, e foquem em propósitos para um futuro melhor.









