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25 novembro 2018

Lady Driver é uma alternativa contra assédio no transporte

Aplicativo é o único no Brasil que possui apenas 
motoristas e clientes mulheres

Entre os anos de 2016 e 2018, foram detectados 74 casos de violência contra mulheres e envolvendo aplicativos de transportes. O número ainda está longe de ser uma amostra real do que ocorre, porque muitas das denúncias não são divulgadas pelos estados correspondentes e, pior, muitos dos casos nem chegam à delegacia. O número corresponde a assédio, atos obscenos, estupro, importunação ofensiva ao pudor e violação sexual mediante fraude nos estados da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Só estupro, foram 46 casos.
Vale ressaltar que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 65% dos estupros não são denunciados. Já a Pesquisa Nacional de Vitimização estima que 92,5% dos estupros não são notificados no Brasil - os outros tipos de violência possuem valores ainda mais preocupantes.
Gabryella Corrêa foi um dos casos não denunciados. Após ser deixada na porta de um bar, o motorista ameaçou ficar esperando a empreendora a sair "bêbada" - nas palavras dele - para ter algum tipo de relação com ela. Por medo - algo bastante comum nessas situações, ela acabou não falando com autoridades sobre o assunto. Mas foi o insight que faltava para criar o seu novo negócio, a Lady Driver.
O aplicativo surgiu com uma agenda de taxistas pequena e, hoje, conta com mais de 26 mil mulheres motoristas atendendo principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. O objetivo é expandir ainda mais o empreendimento, que é uma representação prática da palavra sororidade. Isso porque, além de atender apenas mulheres, preservando tanto a segurança das clientes quanto das colaboradoras, o repasse feito para essas motoristas é maior que o realizado por outros aplicativos, suprindo mais uma lacuna grande relacionada a gênero - a desigualdade salarial.
Conheça a história da Gabryella
Foi aos 15 anos que Gabryella Corrêa percebeu que tinha potencial para empreender. Começou ajudando o pai, dono de uma oficina, autopeças e transportadora, mas seguiu para seu primeiro voo solo assim que ele se aposentou. Criou sua empreiteira com 78 funcionários, que durou um ano e meio e acabou falindo, deixando uma dívida de R$ 80 mil. Mas foi a própria Gabryella que deu a volta por cima, arregaçou as mangas e sanou o débito. Hoje, é vencedora do Prêmio Cláudia 2018 e a Lady Driver foi considerada o maior aplicativo feminino do mundo pelo Jornal Financial Times.
“Quando as coisas dão errado após um grande sonho, é muito difícil. A gente fica deprimida, as pessoas começam a julgar e tem as dificuldades financeiras. Pensei logo em arrumar um emprego para pagar as dívidas e estudar aquilo que eu errei. No meu caso, errei muito na parte financeira, percebi que deveria estudar mais e foi o que eu fiz”, conta Gabryella, que já acumulava um diploma em nutrição, cursos de administração e, neste momento, entendeu a importância de ter aulas de gestão financeira.
Durante a transição, em 2013, ela passou a gerir toda alimentação dos operários que trabalhavam nas obras de construção das Olimpíadas, no Rio de Janeiro. “Servia mais de 12 mil refeições por dia em uma cozinha de 3 mil metros, com 280 funcionários”, lembra. Foi no mesmo período que se formou em Administração de Empresas com ênfase em finanças, ganhando ainda mais experiência para que pudesse dar um novo salto para o seu próprio negócio.

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