O papel do educador diante da inversão de valores

by - abril 27, 2018

Luis Antonio Namura Poblacion (*)


Educar tem sido missão cada vez mais difícil. Não só pelos muitos recursos digitais e tecnológicos que parecem ‘roubar’ a infância das crianças, como pelos comportamentos expostos na mídia e em redes sociais que as hipnotizam com conteúdos que estimulam o consumismo, o desperdício e as ‘trolagens’ entre as pessoas. O mundo virtual vem progressivamente confundindo seus limites com os do mundo real no cotidiano de crianças e adolescentes. O celular e a internet têm mudado a forma de se relacionar com a família, amigos e professores. Como convencer uma criança de 6 anos, por exemplo, de que determinado comportamento é errado quando ela assiste na internet adultos fazendo a mesma coisa?

Essa inversão de valores chega às escolas, interfere no comportamento em sala de aula e, consequentemente, na relação com colegas e educadores. O professor vem enfrentando dificuldades maiores para impor disciplina e respeito e começa a lidar cotidianamente com alunos agressivos e debochados. Diante disso, como ele deve agir?

A questão vem tomando dimensões assustadoras. A mídia e as redes sociais são parte do problema, que pode ter origem também na falta de referências morais e de afeto. Por isso, a forma como o educador lida com os conflitos tem papel crucial na formação emocional da criança. Não é assumindo uma postura agressiva que o professor exercerá a sua autoridade. Não mais.

O que deve ser buscado gradualmente é o fortalecimento da confiança e do respeito por meio do diálogo. É difícil? Muito! No entanto, é preciso se aproximar do aluno, dando a ele a possibilidade de expressar seus sentimentos. Não ignore o que a criança sente ou o que desencadeou determinada atitude. Os debates em grupo também têm seu valor. Promover brincadeiras criativas que permitam a reflexão em torno de situações e comportamentos ajudam a desenvolver a consciência do coletivo, além de promover o envolvimento das crianças na construção de soluções.

A relação escola-família também é de suma importância. De nada adianta a escola reunir esforços para ‘civilizar’ uma criança se a família não trilhar o mesmo caminho. Por isso, todos os esforços devem ser feitos para aproximar a escola dos pais, para que se construa assim a inteligência emocional tão necessária ao convívio em sociedade.

*Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta (www.planneta.com.br), atuando na área da educação há mais de 35 anos.


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